16 de jun de 2008

Assim Eu Te Amo

Assim eu te amo,
E que o encanto uníssono da minha voz,
Possa te confortar nos momentos sombrios de solidão.
A você dedico uma canção ou todas que virão,
Pois não te deixarei um segundo só,
Não maltratarei de tal forma seu coração.

Assim eu te amo,
Como quem apenas espreita para evitar o susto
Tenho medo de tanto amor te machucar.
Sou fera controlada em meus devaneios,
Sou aquele que apenas te observa,
Mas que deseja um dia te tocar.
Assim eu te amo,
Amando-te em mim, calado
Por medo de você me rejeitar.
Amo-te de braços, atados
Sofro e choro por ti
Preciso a ti me entregar.

Assim eu te amo,
E sou o líquido que te resfria.
Na ternura que te consola,
Sou calma e agonia.
Sou corpo ardente de saudade
Sou teu medo que me assola.

Assim eu te amo,
Pois vislumbro mais que medo.
Com os olhos que te olho,
Desta forma que te sinto
Sem a cobertura que desnuda
Sem o conforto do teu colo.

Os teus sonhos já me acordam
Como quem grita por socorro,
O olhar que me lanças na penumbra
É o que me traz arrependimento e medo.
Com a força que me fitas em segredo,
Sou teu homem, mesmo que nunca descubra.

Igor Janiel Souza Brito
16/06/2008

Em votação em:
http://www.overmundo.com.br/banco/assim-eu-te-amo

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11 de jun de 2008

illusia

Choro para espantar as lágrimas,
Mas a lembrança atrai a saudade
O peito clama por paz
A dor insiste em querer mais.
Teu beijo sustenta um sonho
Tua boca é a ponte entre o real e a fantasia.

Tento viver entre dois mundos distantes
Os olhos não entendem mais o que quero dizer
A sede de amar me deixa sem voz
Teu corpo é o alimento de um ser sem vida
Teu amor é o que me faz viver ainda.

Sigo a estrada de mundos opostos
Onde enxergo lá longe
Uma luz que não cessa
É a vontade de viver ao teu lado
É o combustível para continuar apaixonado.

O mundo esqueceu da gente
Mas não conseguimos esquecê-lo
A ponte ameaça se romper
Teu beijo não tem mais o mesmo gosto
A vida não me merece mais
Tenho ânsia e vontade de morrer.

O sonho ameaça acabar
Mas ainda há linhas a serem escritas
É por conta do sonho que continuo a viver
Não mais por conta do amor que um dia tive por você.
Teu cheiro não tem mais sentido
Te amar perdeu o gosto
Apenas me interessa o sorriso,
E a ilusão estampada no teu rosto.

Pássaros cantam para nós
Em busca de um amor que já terminou
Ao tempo que cessam deixam para trás
A vida que viveu,
O sonho que não sonhou.
De mãos atadas em frente ao espelho
Grito teu nome em vão
Para um ultimo beijo de despedida
Para um sincero aperto de mão.

Não é por te amar que continuo este sonho,
É por querer descanso,
É pra manter no rosto a tua sincera indecisão.

Deixe-me viver em paz
Com o sonho de ser livre
E esta dor no coração.

Igor Janiel Souza Brito
13/06/2005

Vote Aqui: http://www.overmundo.com.br/banco/illusia

Cultura Made in USA

1. Desenvolvimento Intelectual. 2. Antrop. Conjunto de experiências e realizações humanas (costumes, crenças, instituições, produções artísticas e intelectuais) que caracterizam uma sociedade. 3. Conjunto de conhecimentos adquiridos numa determinada área de atividade. 4. Conjunto de atitudes e comportamentos que caracterizam certa mentalidade.

O que se encontra no dicionário, após breve pesquisa, são estas definições para a palavra cultura. Das definições, a que mais se encaixa no sentido da discussão é a que conceitua a cultura como o conjunto de experiências e realizações humanas que caracterizam uma sociedade. O problema encontra-se bem aí.

O fato é que a maior parte das produções culturais que nos são oferecidas hoje em nosso país, são importadas. Como exemplo, a produção cinematográfica nacional, de muita qualidade, diga-se de passagem, acaba perdendo espaço para a produção em larga escala dos Estados Unidos. Mesmo com o indiscutível reconhecimento das nossas produções lá fora, em nossos quintais ainda não conseguimos lograr de tamanho êxito.

Tomo o cinema como exemplo, por ser esta, ainda, a mídia que chega à maior parte da população, não pela facilidade de se adentrar uma sala de cinema, mas por estar disponível, mesmo que em uma infima porção, na televisão aberta. Num país em que os livros custam os olhos da cara e uma boa peça de teatro ainda é uma opção para poucos, a TV aberta se apresenta como única expectativa de acesso à cultura para a maior parte da população.

Infelizmente esta TV não oferece o espaço ideal para as produções nacionais. É de extrema necessidade então, que se faça modificações na legislação, para que as produções de artistas nacionais ganhem a devida relevância no contexto da TV brasileira. No entanto, o que os nossos parlamentares fazem é o extremo oposto. Com a aprovação da LP-29 no Congresso Nacional, as emissoras de TV brasileiras ganharão total liberdade para se prostituir aos interesses internacionais, visto que não haverá mais limite para a participação de capital estrangeiro nestas instituições

De fato, os nossos parlamentares andaram para trás na caminhada em busca de uma maior autonomia e espaço para a cultura nacional. As produções dos nossos artistas terão mais uma barreira para ultrapassar dentro dos nossos territórios. Em um momento tão consagrador para a nossa produção artística, vista as premiações em Cannes e as indicações para o Oscar, tais modificações se apresentam como um soco no estômago e na esperança de sucesso dos mais otimistas. Chega a ser irônico que nossos filmes, músicos e artistas plásticos tenham que fazer sucesso lá fora, antes de ter o devido reconhecimento e aceitação dentro do seu próprio país. Um paradoxo que apresenta um simples reflexo da insegurança do povo brasileiro, que ja acostumado a receber e aceitar o “prato-feito” vindo de fora, não se interessa pelo filé mignon servido em sua própria cozinha.

A preocupação com os interesses nacionais não deve ser desencorajada. É a manutenção da nossa cultura, e a defesa da nossa identidade que está em jogo. Há muito tempo se discute o tema, desde os versos de Renato Russo em “Geração Coca-cola” aos discursos mais politizados de sociólogos e educadores nas últimas décadas. Não é aceitável então que em pleno século XI retrocedamos de forma tão irresponsável. O Brasil, com este tipo de atitude, toma postura totalmente contrária àquela defendida pelo mundo todo. Conseguimos perceber claramente no contexto internacional, que há uma busca incessante pela proteção e incentivo à produção interna. No entanto, o Brasil abre suas porteiras para que investidores internacionais definam o cardápio do que será distribuído dentro de nosso país, nos deixando à mercê do que for de seu interesse. Nessa situação, entregaram a coleira para que possam nos levar para passear. “Ah vida real, como é que eu troco de canal”?

Igor Janiel Souza Brito
11/06/2008

Ovos Nelas

O que é uma socialite? Segundo Sérgio Ximenes, não passa de uma pessoa rica que cultiva um estilo de vida luxuoso, freqüentando festas e lugares luxuosos. Creio que meu dicionário esteja incompleto, pois não encontro nele, a função social deste tipo de pessoa. Em que contribui para o desenvolviento do planeta, estas pessoas que são caracterizadas apenas pela presença em ambientes e eventos de alto glamour? Sim, porque um agricultor cultiva a terra e produz frutos. Um médico cuida e salva vidas. Um bombeiro apaga incêndios e uma socialite freqüenta festas.

Nada pessoal, só acho incrível que estas pessoas consigam acordar todos os dias e ainda terem disposição para fazer o que sempre fazem, e que provavelmente fizeram no dia anterior. Mas a simples existência de tais pessoas não é fato relevante. Se não querem ajudar a fazer algo pelo mundo em que vivemos, que pelo menos não atrapalhem. E é aqui onde quero chegar.

Na grande rede está sendo difundido um vídeo, onde uma famosa socialite carioca, juntamente com alguns amigos, todos da mesma classe trabalhista (freqüentadores de festas luxuosas), mostram sua mais nova forma de se divertir. Talvez pelo tédio provocado pela desumana jornada de eventos de luxo a que são submetidos, este grupo de amigos resolveu passar o tempo jogando ovos podres em pessoas que passam próximo de suas residências. E não pense que tais acontecimentos se passam em vielas sujas e mal iluminadas das favelas do Rio, muito pelo contrário, o ataque dos ovos ocorre principalmente nos bairros mais luxuosos da cidade, nos metros quadrados mais caros da capital. Não satisfeitos em demonstrar a sua perícia na modalidade de arremesso de ovos, ainda demonstram passo a passo o processo de preparação, apresentando todas as etapas até o apodrecimento.

Lastimável. Pergunto-me de que serviram as dezenas de anos destinados à freqüentar os mais caros colégios do nosso país, se agora colocam-se no mesmo patamar de civilidade de algumas espécies menos evoluídas de primatas. Anos perdidos, creio eu. Talvez o excesso de laquê, maquiagem e drogas tenham produzido um efeito devastador na humanidade inerente a todo ser humano.

Não vou negar que em alguns casos ja tive o desejo de arremessar ovos podres em algumas pessoas. Talvez um assassino, um estuprador ou um político corrupto, mas creio que os crimes de tais personagens justifiquem minha atitude ofensiva. E neste ponto faço uma comparação com a situação vislumbrada no texto “Os Invisíveis”, postado anteriormente, onde uma pedinte foi presa por empurrar uma idosa, após esta ultima ter se negado a dar esmola. A pedinte foi presa, com certeza vai ser indiciada e condenada. E se eu conheço a justiça brasileira, irá pegar a pena máxima possivel para tal delito. E a socialite? Será se vai passar pelo menos um dia na prisão? Na minha opinião, a agressão moral causada ao jogar os ovos nas pessoas é de relevância muito maior do que a da agressão da pedinte à idosa. Pelo menos a pedinte tinha um motivo, ainda que não justificador da sua atitude, enquanto a socialite pratica tais atos por pura diversão.

Creio que o problema está na educação. Não na forma que é oferecida, mas sim na forma que é absorvida e utilizada pelos destinatários. Alguns usam o que sabem para o bem, outros passam o tempo jogando ovos pela varanda. Talvez tranquilizados pela certeza da impunidade, são sujeitos de atitudes tão deploráveis e degradantes. Não que o dinheiro que têm, ou a educação que receberam os tornem melhores do que qualquer outra pessoa, mas estas oportunidades lhes deram possibilidade de discernir melhor o certo do errado. Cada um usa da forma que bem entende essa capacidade de discernimento. Eu, por minha vez, continuo a achar mais interessante ovos na frigideira, do que na cabeça das pessoas.

Igor Janiel Souza Brito
11/06/2008

4 de jun de 2008

Um Pouco de Belas Palavras

Obediência

Olhei: como olhou Steve Wonder.
Gritei: como gritou Charles Chaplin.
Chorei: com as lágrimas das crianças
Que não choraram.

Ri: como os combatentes
No momento da derrota.
Fui feliz: eu sei,
No ato incompetente de sofrer.
Mas não me arrependo,
Pois tudo que sou,
É contrário do que devia ser.

E como viver contrariando normas
E métodos antiquados,
No uso diário da sobrevivência?
Não sei!

Se soubesse não estaria escrevendo estas palavras melancólicas em papel pautado e uniformizado,
Tão igual à vida humana:
Clara, pautada, marcada para ser vivida.

E o que faremos senão contrariar
Normas e métodos?
Não podemos voltar no tempo,
Não podemos também continuar,
Decerto, pois o futuro é incerto.
E o contrário é sempre o mais correto.

Então o que posso fazer é parar,
E como outros milhares,
Transformar-me em símbolo, estátua.
Formas inertes de sobrevivência,
Formas inéditas de obediência.

E o mais importante é ser livre,
Pensar o que eles querem
E falar o que eles deixam
Pois somos donos de nós mesmos,
Ou talvez de 10% dessa cabeça animal.

Igor Janiel Souza Brito
14-12-2003

No contexto da Crise

No contexto da crise de alimentos, é preciso repensar o papel dos Estados e governantes para a manutenção de uma sociedade justa e igualitária.

Em trecho do filme "O Grande Ditador" (The Great Dictator), onde faz uma grande sátira à Adolf Hitler e Benito Mussolini, Charles Chaplin emociona a todos com um discurso que se enquadra perfeitamente no contexto atual, apesar de ter sido escrito há mais de 60 anos. O primeiro totalmente falado de Chaplin é considerado uma obra prima do cinema mundial.

O protecionismo econômico dos países desenvolvidos e a fome mundial

A proteção econômica através de barreiras alfandegárias e subsídios estatais é fato comum na cena econômica dos países de primeiro mundo. Para proteger os produtores locais da concorrência de produtos oriundos de outros países, grandes potências mundiais gastam bilhões de dólares por ano com subsídios agrícolas. Porém, uma grave crise de alimentos vem se desenvolvendo nos últimos tempos, provocando a alta no preço dos alimentos e a escassez de alguns produtos no mercado mundial.

A alta excessiva no preço de alguns produtos básicos, como grãos e cereais, nos últimos dias provocou uma grave crise no cenário mundial, abrindo espaço para discussões a respeito do tema. Alguns pesquisadores chegaram a divulgar na imprensa, que se nada for feito para mudar o cenário de crise que já se instalara, o planeta terá que produzir 50% mais alimentos do que produz hoje, até 2030. Mas como produzir tanto, sem prejudicar o ecossistema e outros setores da economia? O problema é exatamente este, apesar do grande avanço da tecnologia na área agrícola nas últimas décadas, possibilitando níveis cada vez mais altos de produtividade, ainda estamos longe de obter tais níveis de produção. Portanto, já que não podemos produzir os 50% necessários para alimentar a população em 2030, faz-se necessário a busca de novas alternativas.

Na outra ponta do raciocínio, está o discurso daqueles que criticam o fato de que várias faixas de terra que poderiam estar sendo usados para a produção de alimentos, estarem sendo usados para a produção de matéria prima para os Biocombustíveis. Não deixa de ser sensata a afirmação de que esta prática acaba por diminuir a área disponível para a produção de alimentos, o que acarreta sérios empecilhos para o fim da crise dos alimentos. Caso haja uma diminuição na produção de alimentos necessários, decerto o preço dos alimentos irá subir a níveis inimagináveis, provocando fome e miséria nas partes mais pobres do planeta.

Críticas direcionadas aos países que exploram a produção de Biodiesel em larga escala acabaram atingindo também o Brasil। O país passa por um momento bastante expressivo na produção de cana de açúcar, onde a área de cultivo da cultura cresceu vertiginosamente, alcançando recordes de produção nunca antes visto. No entanto, o Brasil combate as críticas, argumentando que a produção de alimentos não está sendo prejudicada, pois o cultivo de cana de açúcar não tomou o espaço de grãos e cereais na produção agrícola. Paralelamente, pesquisas muito avançadas de pesquisadores da Embrapa, prometem diminuir os custos de produção de grãos, ao mesmo tempo que aumenta-se a produtividade, através de sementes cada vez mais fortes e resistentes. Em situação mais complicada encontra-se os Estados Unidos, pois lá, o produto mais utilizado para a produção do Etanol é o milho, produto que tem pouca produtividade, se comparado à cana de açúcar. Além disso, o milho é alimento muito usado na alimentação de animais, e já sofre aumentos expressivos nos últimos meses, o que por conseqüência ocasiona também o aumento no preço da carne e derivados.

O Brasil, a partir da divulgação dos relatórios preliminares que demonstram o potencial destrutivo da crise, tomou posse de uma postura protecionista, visando a manutenção do desenvolvimento dos projetos na área dos biocombustíveis। Não tardou em contra tacar as críticas feitas sobre a produção de Etanol através da cana de açúcar. Em discurso feito no encontro da FAO em Roma, o presidente Lula demonstrou estar disposto a comprar a briga com os países desenvolvidos da Europa e principalmente os EUA. Criticou não a produção de biocombustíveis nesses países, mas sim o uso abusivo de práticas protecionistas contra produtos oriundos de outros países. E mandou o recado, não deixará de apoiar o desenvolvimento de combustíveis renováveis. Segundo o presidente Lula, as barreiras alfandegárias e os subsídios agrícolas oferecidos pelos governos destes países têm causado, antes de qualquer outra coisa, a elevação do preço dos alimentos no mundo. E qualquer idéia contrária a isso tem o simples intuito de desvirtuar a questão, transferindo o foco para os países subdesenvolvidos.

No contexto da crise, o governo japonês mandou disponibilizar milhares de toneladas de arroz que estavam em estoque. Com medo do aumento excessivo do arroz, o governo providencia defesas para evitar a crise. O aumento do preço do arroz na economia japonesa seria pertinentemente prejudicial, pois a dieta japonesa é baseada principalmente no cereal. Especialistas afirmam que se a crise dos alimentos realmente tomar proporções maiores, o Brasil teria boas defesas, pois tem uma política eficiente de distribuição comercial e emergencial, gerenciada por empresas estatais imunes à especulações financeiras. Além disso, o Brasil produz cerca de 30% mais do que consome, assegurando uma autonomia interna maior, além de ótimo potencial exportador.

Para o governo brasileiro, uma maior liberdade de comércio entre os países é condição indispensável para o fim da crise. Com uma maior competitividade no mercado mundial, o preço dos alimentos tenderá a cair gradualmente, e voltará aos níveis usuais ou, para os mais otimistas, poderá chegar a níveis baixos nunca antes vistos. Pretende-se então permitir que os produtos estrangeiros possam ser vendidos em mesmas condições que os produtos nacionais, deixando a escolha para quem realmente interessa, os consumidores finais.

Nesta briga de gigantes, que são os Estados, nós consumidores ficamos em posição desfavorável, visto que a decisão das entidades governamentais ditará as condições do nosso futuro. A disputa entre produção de energia e produção de alimentos já provocou amplas discussões em âmbito nacional, e há quem profetize a ocorrência de sérios problemas nos próximos anos. Enquanto esperamos os próximos capítulos dessa trama, dê sua opinião acerca do tema. O que você entende a respeito disso? O que deverá ser feito para evitar uma crise mundial de proporções apocalípticas?

Igor Janiel Souza Brito
Certostermos.blogspot.com
03/06/2008